NFJ#272¬†ūüćā¬†Dificuldades para trabalhar em casa?

Buenas, moçada.

Enquanto o presidente adota uma política de extermínio, abraçando a insanidade que sempre suspeitou-se acompanhar sua incompetência e irresponsabilidade, o jornalismo mostra força. Nesta semana, colocou-se de fato como inimigo de um sujeito que não apenas despreza os ideiais democráticos (como disse CW Anderson em entrevista à Lívia um ano atrás), mas parece também refutar ideais básicos de humanidade.

Como disse o psicanalista M√°rio Corso, estamos diante de um teste civilizat√≥rio. Nessa hora, meus amigos, o pouco espa√ßo que ainda existia para contemporizar seu comportamento criminoso acabou. Bolsonaro √© barb√°rie. Ponto. Como disse a Marcela Donini hoje no editorial do Grupo Matinal, dever√≠amos, como sociedade, ignor√°-lo, pois "seus del√≠rios atuais t√™m reflexos reais e imediatos no meio de uma pandemia cuja janela para a√ß√Ķes de mitiga√ß√£o √© curta". Como jornalistas, n√£o podemos, infelizmente.

Por isso, seguimos.

Assim como na semana passada, a edi√ß√£o de hoje √© toda conduzida pela L√≠via. Tem muitas dicas, orienta√ß√Ķes e exemplos do que nossos colegas andam fazendo, por aqui e pelo mundo. Uma newsletter mais pr√°tica e instrumental em meio a uma cobertura e um cotidiano pesados.

Antes de seguirmos, voc√™s devem ter notado que o banner da news mudou de novo. √Č a nossa homenagem ao c√©u de outono em Porto Alegre. A foto √© da Marcela e mostra tamb√©m a Catedral Metropolitana, parte do Pal√°cio Piratini e da Assembl√©ia Legislativa, e outros pr√©dios do centro da capital ga√ļcha. √Č a imagem que vai ilustrar a temporada de outono da NFJ.

Agora sim. Bora.

ūüćā Come√ßamos com indica√ß√Ķes de ferramentas, recursos e dicas para cobertura do coronav√≠rus. O American Press Institute fez uma lista de conte√ļdos, ferramentas gratuitas e financiamentos abertos. Uma das bolsas citadas √© a do Pulitzer Center, que est√° selecionando projetos de jornalistas independentes. Reda√ß√Ķes pequenas podem conferir aqui uma lista de ferramentas para cria√ß√£o de live blogs, visualiza√ß√£o de dados e checagem. Querem aplicativos gratuitos para facilitar a cobertura e o trabalho de casa? Vejam aqui. A Global Investigative Journalism Network sistematizou algumas recomenda√ß√Ķes para cobrir a COVID-19, entre elas: reduzir o uso de adjetivos que sejam subjetivos, como doen√ßa ‚Äúmortal‚ÄĚ; ter cuidado com o uso de fotos, para n√£o propagar a mensagem errada; explicar as a√ß√Ķes preventivas e evitar t√≠tulos para atrair cliques. E para os professores de Comunica√ß√£o que est√£o preparando aulas pela internet, Mark Deuze teve uma √≥tima ideia e criou uma lista global de docentes que est√£o se voluntariando a participar de aulas online.

ūüćā falamos sobre a campanha da imprensa argentina #SomosResponsables, lembram? Durante a semana, publica√ß√Ķes de pelo menos nove pa√≠ses da Am√©rica Latina (incluindo o Brasil) sa√≠ram com capas id√™nticas relacionadas ao combate ao coronav√≠rus. Falando em colabora√ß√£o, dezenas de comunicadores das periferias e favelas de todo o pa√≠s lan√ßaram uma carta p√ļblica questionando que algumas medidas dos governos para conter a dissemina√ß√£o do v√≠rus s√£o dif√≠ceis de aplicar √† realidade das favelas, como o isolamento social. Ainda sobre o trabalho dos ve√≠culos jornal√≠sticos: este texto da CJR conta como profissionais est√£o cobrindo o coronav√≠rus pelo mundo; o Knight Center entrevistou editores para saber quais s√£o as estrat√©gias adotadas para alcan√ßar a audi√™ncia e tornar o jornalismo mais acess√≠vel; e tamb√©m informam que diversas reda√ß√Ķes da Am√©rica Latina est√£o adotando medidas para prevenir o cont√°gio e proteger suas equipes. E como est√° a confian√ßa do p√ļblico no jornalismo que cobre a crise? Segundo o DataFolha, TVs e jornais lideram √≠ndice de confian√ßa em informa√ß√Ķes sobre coronav√≠rus. Redes sociais e aplicativos de mensagens s√£o vistos como pouco confi√°veis. Estudos no Reino Unido nos √ļltimos dias chegaram a esses mesmos resultados. Precisamos de mais pesquisas sobre o tema, certo? A L√≠via e a Sibele Aquino, da Psicologia Social da PUC-RJ, est√£o querendo compreender o consumo de m√≠dia e sua rela√ß√£o com o bem-estar neste momento. Responda ao question√°rio e participe da pesquisa.

ūüćā Voc√™s est√£o tendo dificuldades para trabalhar em casa? Aqui v√£o algumas dicas: como tornar seu espa√ßo de trabalho mais ergon√īmico (principalmente para as costas); ouvir m√ļsica e vestir roupas confort√°veis podem ajudar muito; crie algumas ‚Äúzonas‚ÄĚ na casa onde voc√™ sempre trabalha e outras onde voc√™ nunca vai trabalhar. Isso ajuda a concentrar no per√≠odo de produ√ß√£o. Vejam aqui um guia para ter √™xito no teletrabalho. Este link traz um outro guia para v√≠deo confer√™ncias. E confira estes 6 conselhos para trabalhar de casa durante a quarentena. O professor Ram√≥n Salaverr√≠a compartilha neste fio do Twitter recursos e ferramentas para aproveitar o tempo de modo produtivo. Fazer home-office √© dif√≠cil tamb√©m pra quem √© aluno de jornalismo, certo? O Journalism.co.uk compartilhou conselhos do professor Paul Bradshaw para os estudantes. Entre eles: ‚Äúse voc√™ n√£o pode fazer entrevistas pessoalmente, minimize as desvantagens da entrevista por e-mail ou mensagens em redes sociais. Negocie fazer novas perguntas ap√≥s o primeiro envio das respostas pela fonte, esteja preparado para pedir que elas expandam os pontos e forne√ßam mais detalhes, pe√ßa imagens e/ou v√≠deos".

ūüćā Um bloco sobre desinforma√ß√£o e o coronav√≠rus: Projeto Comprova iniciou esta semana checagem de conte√ļdos sobre a pandemia. Vejam aqui como ag√™ncias de checagem pelo mundo t√™m criado estrat√©gias para combater a desinforma√ß√£o. No Brasil, Aos Fatos liberou conte√ļdo sobre coronav√≠rus para republica√ß√£o gratuita e Lupa lan√ßou newsletter especial di√°ria que desmente boatos sobre a COVID-19. Vale ler tamb√©m estes conselhos sobre como evitar difundir informa√ß√Ķes erradas, entre eles: evite o falso equil√≠brio, explique o que se sabe, mas reconhe√ßa temores e incertezas. E neste outro link, mais dicas para evitar a desinforma√ß√£o: segundo Daniel Funke, da PolitiFact, √© preciso aprender o b√°sico sobre a doen√ßa, ignorar posts com teorias conspirat√≥rias, ter cuidado com as tentativas de subestimar ou aumentar a amea√ßa da doen√ßa, n√£o compartilhar novos m√©todos de tratamento sem consultar fontes oficiais. E vejam voc√™s que o WhatsApp, um dos grandes canais de desinforma√ß√£o, criou o WhatsApp Coronavirus Information Hub, em colabora√ß√£o com OMS, UNICEF e PNUD, para oferecer um guia pr√°tico, conselhos gerais e recursos para que usu√°rios de todo o mundo estejam mais bem informados sobre a doen√ßa e, assim, reduzam a difus√£o de rumores.

ūüćā √Ä medida que a cobertura da pandemia avan√ßa, v√£o surgindo tamb√©m an√°lises e reflex√Ķes mais aprofundadas. Para Jeff Jarvis, este √© o momento em que os jornalistas devem ver a reportagem como um bem p√ļblico e fazer tudo para diminuir a ignor√Ęncia. ‚ÄúFoi a decis√£o da The Atlantic de abrir o paywall que me motivou a assinar. √Äs vezes, fazer o bem √© sua pr√≥pria recompensa; √†s vezes, ainda h√° um b√īnus‚ÄĚ, disse. Este texto da PressGazette compila an√°lises de diversos especialistas sobre o tema. Nic Newman, do Reuters Institute, afirma que a crise pode restaurar a confian√ßa no jornalismo e em seu papel de informar. Bem menos otimista √© este artigo de Craig Silverman, que mostra como o jornalismo local tem sido impactado negativamente com a diminui√ß√£o dos an√ļncios perdidos com a pandemia. Os publishers preveem mais fechamento de jornais, demiss√Ķes e desertos de not√≠cias. Este texto do Poynter discute se ve√≠culos t√™m o dever √©tico de remover os paywalls da cobertura do coronav√≠rus.

ūüćā O European Journalism Observatory pediu aos pesquisadores de sua rede para analisar a cobertura da crise. H√° textos que refletem sobre a atua√ß√£o dos jornalistas no Egito, Reino Unido, Qu√™nia, entre outros. O professor Fernando Paulino assina a an√°lise sobre o Brasil. Considerem ler alguns desses textos no tempo livre da quarentena :-)

ūüćā O Guardian est√° publicando uma lista di√°ria de artigos e mat√©rias que N√ÉO falam sobre o coronav√≠rus, e deram a ela o nome criativo de ‚ÄúO ant√≠doto‚ÄĚ. Vamos segui-los e indicar leituras para al√©m da pandemia: a BBC est√° experimentando uma nova maneira de responder √†s perguntas mais comuns dos leitores, evitando repeti√ß√£o de informa√ß√Ķes b√°sicas e explica√ß√£o de termos. A doutoranda da UFRGS Mar√≠lia Gehrke indica nesta thread 10 livros para entender dados e jornalismo computacional. Este app cria posts com anima√ß√£o para Instagram.

√Č isso, pessoal.
Bom final de semana e até sexta que vem.
Cuidem-se e fiquem em casa.
Moreno Osório e Lívia Vieira