NFJ#292 oferecida por Science Pulse ❄️ Por que precisamos de um 'Google Trends' para redes sociais

Jornalistas vivem em "microbolhas" no Twitter, precisamos falar sobre bem-estar emocional, como encarar o freelancing como negócio, e como fazer networking durante conferências virtuais

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Buenas, moçada!

Firmes?

Moreno aqui, um pouco atrasado, abrindo mais uma news em nossas vidas.

Por aqui, Al Green embalou a nossa manhã de fechamento, em especial a maravilhosa How you can mend a broken heart, que está na grande trilha de Virgens Suicidas, que por sua vez lembra a época em que eu ia semanalmente ao cinema. Bons tempos aqueles em que havia salas de cinema, né?

Antes de iniciar, deixem eu lembrar vocês que a Newsletter Farol Jornalismo recebe o apoio do Science Pulse, projeto do ICFJ Knight Fellow Sérgio Spagnuolo, em colaboração com o Volt Data Lab e com apoio do International Center for Journalists (ICFJ) e da Agência Bori.

Ao longo do ano aprendemos na marra que devemos estar atentos às conversas dos cientistas, vocês sabem. Mais ainda, precisamos saber ler, interpretar e divulgar o que os cientistas fazem. Uma boa maneira de começar uma conversa é ouvindo. É aí que o social listening do Pulse pode ajudar. A ferramenta tem um algoritmo que escuta o que cientistas estão falando nas redes, destacando o conhecimento e filtrando o ruído.

Agora, por exemplo, pouco antes desta edição ser enviada, dois dos tweets em destaque no Pulse tinham a hashtag #ExistePesquisanoBR e eram de pesquisadoras brasileiras contando quem são e quais suas áreas de atuação. Vocês conhecem a astrofísica estelar (!) Geisa Ponte e a professora de palentologia Aline Ghilardi? Eu também não conhecia. Na aba específica da Covid-19, era destaque este tweet do médico sanitarista Adriano Massuda sobre este artigo publicado no Valor Econômico.

Deem uma olhada lá.

O Pulse é um baita atalho para conhecermos e conversarmos com cientistas e para melhoramos o nosso entendimento sobre a ciência e, consequentemente, a nossa cobertura - especialmente sobre a Covid-19.

Bom, vamos nessa?

O texto da NFJ#292 é quase todo da Lívia Vieira. A curadoria é nossa. E a edição final é minha.


❄️ As plataformas estão fazendo alguns movimentos importantes contra a desinformação. Esta semana, o Facebook anunciou que peças de opinião podem sim ser checadas (tanto artigos quanto editoriais). Neste texto para o Poynter, Cristina Tardáguila e Harrison Mantas explicam que esse tipo de conteúdo estava fora do escopo dos checadores parceiros da empresa até então. Além disso, há duas novas formas de avaliação de posts: “alterado”, para conteúdos que contêm imagens e vídeos manipulados; e “contexto ausente”, que deve ser usada quando o conteúdo pode ser enganoso se não houver informações adicionais. De olho nas eleições norte-americanas, nosso amigo Mark também lançou uma nova política para evitar que veículos jornalísticos diretamente relacionados a grupos ou a políticos individuais apareçam no Facebook News. Esta matéria da Axios afirma que a decisão vem dias depois de o Google anunciar que vai banir anunciantes com motivação política que se disfarçam de sites de notícias locais. O Twitter, que já baniu todos os anúncios políticos de sua plataforma, agora anunciou que vai rotular contas de organizações jornalísticas controladas por governos, ou seja, aquelas em que o estado tem ingerência sobre o conteúdo editorial, produção e distribuição. Segundo explica o Nieman Lab, isso significa que a RT da Rússia e a Xinhua News da China terão o rótulo, enquanto a BBC do Reino Unido e a NPR nos Estados Unidos não, porque são instituições com financiamento público e independência editorial. Estudo de Nikki Usher e Yee Man Margaret Ng analisou as interações de jornalistas locais dos EUA no Twitter e identificou que eles vivem em “microbolhas”, falando demais uns com os outros e isolando-se do público em geral. “Isso pode levar a uma vulnerabilidade ao pensamento de grupo e também a pontos cegos”, dizem as autoras ao Illinois News Bureau. Tommy Shane, do First Draft, levanta um ponto importante no Nieman Lab: “não temos ideia do que as pessoas estão buscando nas plataformas de redes sociais e quais resultados são apresentados”. Esse “vazio de dados” (data voids) pode esconder altos níveis de demanda por informações sobre um assunto, mas baixos níveis de oferta confiável de resultados, expondo as pessoas à desinformação. Para Shane, “precisamos de um Google Trends para Facebook, Instagram, Twitter, TikTok e Reddit”.


❄️ Aos Fatos acaba de lançar sua própria plataforma de monitoramento em tempo real contra a desinformação. O “Radar Aos Fatos” detecta conteúdos potencialmente enganosos que circulam nas redes sociais por temas e os classifica de acordo com sua qualidade informativa. Baita iniciativa. Este outro texto do Aos Fatos revela que está circulando nas redes sociais uma informação distorcida bastante engenhosa: utilizando dados do Portal da Transparência do Registro Civil, publicações argumentam que o aumento do número de mortes em julho de 2020 em comparação com o mesmo mês de 2019 foi menor do que o registrado em anos anteriores. A intenção é negar a gravidade da Covid-19, mas com a omissão de um fato: os números mais recentes ainda estão em fase de processamento, o que pode levar até três meses. A Agência Lupa, por meio do LupaEducação, fez uma oficina para treinar um grupo de checadores do Geba News, agência de checagem da Guiné-Bissau que surgiu durante a pandemia. É também da Lupa este levantamento em base de dados públicas que mostrou que, na América Latina, 20% da desinformação sobre o novo coronavírus circula em vídeos. E vejam que ideia boa: a startup Our.News criou uma extensão de navegador que mostra quem é o autor da postagem, a localização do veículo e outros “ingredientes” que ajudam a entender o que as pessoas estão consumindo em suas dietas de notícias. Saibam mais sobre os “Nutrition Factsneste texto do Journalism.co.uk. A pandemia tem mostrado que a desinformação pode ser mortal. Por isso, Claire Wardle e Joan Donovan argumentam que este passou a ser um problema de todos nós. “Sabemos como é a ‘desinformação normal’, mas a infodemia é diferente por sua escala global sincrônica; é maior, pior e potencialmente mais mortal. Como estudiosos, devemos organizar nossas pesquisas para a ação”, dizem. E para os acadêmicos que querem se debruçar conceitualmente sobre fake news, vale ler a “trilogia” de artigos do professor C.W. Anderson: “Prática, interpretação e significado no ecossistema atual das mídias digitais”; “Fake news não é um vírus: sobre plataformas e seus efeitos”; e “Um jornalismo do medo”.


❄️ Títulos e subtítulos são o principal, quando não o único, ponto de contato de muitos leitores com a notícia, e podem causar problemas quando estão alguns tons acima do conteúdo do artigo. Pegando o gancho na repercussão do artigo de Lilia Schwarcz (ela criticou Beyoncé por ‘glamourizar a negritude’), Flavia Lima faz essa crítica à Folha, destacando que, para chamar a atenção do leitor, o editor expôs de maneira mais ferina o que a autora apenas sugeriu. “Ocorre que isso não pode ser feito à custa da aderência da chamada ao conteúdo do texto”, argumenta a ombudsman. | O jornalismo pode ser imparcial e empático? Neste artigo para o Nieman Reports, Greg Munno e Megan Craig falam sobre pesquisa que fizeram com os estudantes da Universidade de Syracuse que, segundo eles, traz um resultado esperançoso. Tanto o grupo mais “tradicional”,  que defende a imparcialidade, quanto os que defendem a empatia como valor principal, compartilham o desejo de redirecionar o jornalismo para os cidadãos. | Outra reflexão publicada no Nieman Reports: para Casey Quackenbush, os desafios impostos pela pandemia e pelo movimento de justiça racial estão transformando a cultura da mídia - historicamente competitiva - em mais colaborativa. | Anthony Feinstein, professor de psiquiatria da Universidade de Toronto, pesquisa há 20 anos o bem-estar emocional de repórteres sob pressão e afirma que o jornalismo não discute esse assunto o suficiente e não lida com o fato de que doenças como PTSD (Post-Traumatic Stress Disorder) se tornarão cada vez mais comuns, pela própria natureza do trabalho jornalístico. Vale ler o relato de sua extensa pesquisa, neste texto para o Reuters Institute. | Em seu blog, o professor Paul Bradshaw destaca os sete ângulos mais comuns em matérias com dados, com exemplos que podem inspirar quem trabalha com planilhas e números.


❄️ Um bloco com dicas práticas e novidades da indústria. Thomas Baekdal explica como publishers podem organizar o trabalho de casa após a pandemia. No editorial do The Star “De volta ao escritório, mas não à normalidade”, Nancy Fielder conta que ela mesma está medindo a temperatura dos repórteres diariamente, “algo que usualmente não está descrito nas funções de um editor”. Molly McCluskey argumenta, no Poynter, que é importante pensar o freelancing como um negócio e dá dicas sobre como começar. Conheçam a equipe da área de Produto do New York Times (Newsroom Product Desk), que integra os times de Produto, Design e Tecnologia. “Essas equipes estão focadas na forma como planejamos e apresentamos nosso jornalismo, um esforço para aprofundar o engajamento de nossos leitores”. No Laboratorio de Periodismo, dez conselhos para reter assinantes em meios de comunicação. Leiam também como três organizações de notícias estão monetizando com eventos virtuais (Digital Content Next) e a emergência de soluções criativas para pacotes de assinaturas (Digiday).


❄️ Agora, aquele resumo esperto das principais newsletters de jornalismo que chegaram durante a semana. A do IJNet destaca uma reportagem sobre uma ferramenta Fiocruz que mostra a gravidade da pandemia no Brasil. E também dá dica de 20 filmes e séries sobre jornalismo. A Weekly Training Digest, do Poynter, apresenta uma certificação digital chamada Newsroom Readiness Certificate, que é voltada estudantes que estão se preparando para trabalhar pela primeira vez em uma redação. A do Tow Center traz uma análise baseada em OSINT de uma controvérsia surgida a partir de uma publicação da Harper’s Magazine. O último boletim do Checklist destaca a prisão de jornalistas na Índia críticos à resposta do governo à pandemia de coronavírus no país. A ONA Weekly #321 traz depoimentos de profissionais sobre como se manter motivado por longos períodos de tempo. E a mais recente news do Reuters Institute destaca um estudo sobre raça nas redações e também chama a atenção para a saúde mental dos jornalistas que cobrem a pandemia.


❄️ Para finalizar, links SORTIDOS. Abraji abriu inscrições para seu congresso anual - que será online e gratuito - e lançou o novo curso “Reconstrução do jornalismo local”, em parceria com o Facebook Journalism Project, também de graça. Duas oportunidades imperdíveis, hein? | Inscrições abertas também para a segunda edição do Prêmio Cláudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, iniciativa da Escola de Dados que premia trabalhos que fazem uso de dados para investigar questões que afetam a sociedade brasileira. | Participem dos webinars semanais do Fórum de Reportagem sobre a Crise Global de Saúde, iniciativa do ICFJ. O do próximo dia 19 de agosto será sobre dicas, técnicas e ferramentas para jornalismo investigativo. | No Reynolds Journalism Institute, como utilizar a funcionalidade dos áudios de WhatsApp para notícias. | Dicas para desenvolver uma habilidade crucial nesses novos tempos: como fazer networking durante conferências virtuais (The Lenfest Institute). | No Journalism.co.uk: aumente sua segurança digital trabalhando de casa. | E no Objethos, Dairan Paul faz crítica ao jornal Zero Hora por incentivar quebra de isolamento social ao propor “máscara no rosto e pé na estrada” em série de tweets.


É isso, gente.
Bom final de semana a todos e todas.
Fiquem bem, tomem um vinhozinho de noite e apoiem a NFJ ;-)

Moreno Osório e Lívia Vieira


Nosso agradecimento de <3 vai para:

Adriana Martorano Vieira, Alciane Baccin, Alexandra Zanela, Ana Claudia Gruszynski, Ana Paula Rocha, Anderson José da Costa Coelho, Anderson Meneses, André Caramante, André Roca, André Schröder, Andrei Rossetto, Ariane Camilo Pinheiro Alves, Bárbara Pereira Libório, Beatriz de Arruda, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Garcez, Bibiana Osório, Boanerges Balbino Lopes Filho, Caio Cesar Giannini Oliviera, Carolina Oms, Carolina Silva de Assis, Casemiro Alves, Cecília Seabra, Cristiane Lindemann, Davi Souza Monteiro de Barros, Diego Freitas Furtado, Diego Queijo, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Estelita Hass Carazzai, Fabiana Moraes, FêCris Vasconcellos, Felipe Branco Cruz, Felipe Dias, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriela Favre, Giuliander Carpes, Guilherme Nagamine, Janaína Kalsing, João Vicente Ribas, Jonas Gonçalves da Silva, Jordana Fonseca, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Leticia Monteiro, Lia Gabriela Pagoto, Lucia Monteiro Mesquita, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Maria Carolina Medeiros, Maria Elisa Maximo, Mayara Penina, Michelle Raphaelli, Nadia Leal, Nara Leal, Natália Levien Leal, Paula Bianchi, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Pedro Rocha Franco, Priscila Bernardes, Priscila dos Santos Pacheco, Rafael Grohmann, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Roberto Nogueira Gerosa, Roberto Villar Belmonte, Rodrigo Muzell, Rogerio Christofoletti, Rose Angélica do Nascimento, Rosental C Alves, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Suzana Oliveira Barbosa, Tais Seibt, Tatiane de Assis, Vivian Augustin Eichler, Washington José de Souza Filho.

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