NFJ#305 oferecida por Science Pulse ūüĆļ At√© onde vai a liberdade de interpreta√ß√£o do jornalismo?

A repercuss√£o jornal√≠stica do "estupro culposo" | A estrat√©gia das ag√™ncias de checagem para as elei√ß√Ķes | Colabora√ß√£o para mapear casos de viol√™ncia pol√≠tica | Como a pandemia afetou o jornalismo |

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Buenas, moçada!

Moreno aqui. Hoje um pouco (bem) atrasado. Mas, enfim, vocês entendem.

Antes de iniciarmos, deixa eu contar algumas melhorias do Science Pulse pra vocês.

A maior novidade √© que a m√©trica de popularidade est√° mais complexa. Isso faz com que a gente tenha a possibilidade de descobrir tu√≠tes interessantes de perfis que n√£o tenham tantos seguidores. Outra coisa √© que agora a l√≠ngua padr√£o da ferramenta √© o portugu√™s. Por fim, toda a plataforma est√° mais r√°pida. Bom, hein! ūüôĆ

Se quiserem detalhes, a equipe do Pulse contou tudo neste tuíte.

Voc√™s conhecem o Pulse. √Č um projeto do ICFJ Knight Fellow S√©rgio Spagnuolo, em colabora√ß√£o com Volt Data Lab e apoio do International Center for Journalists (ICFJ) e da Ag√™ncia Bori. O social listening do Pulse nos ajuda a conhecer e conversar com cientistas e a melhorar o nosso entendimento sobre a ci√™ncia e, consequentemente, a nossa cobertura - especialmente sobre a Covid-19. Deem uma olhada l√°.

Beleza, vamos nessa.

A NFJ#305 tem texto meu e da Lívia, curadoria de ambos e edição final minha.


ūüĆļ Domingo √© dia de elei√ß√Ķes municipais, com recorde no n√ļmero de candidatos: 545 mil, de acordo com o TSE. Muita informa√ß√£o circulando, muita chance de desinforma√ß√£o. Por isso, perguntamos √†s duas principais ag√™ncias de checagem brasileiras como ser√° a cobertura do pleito. A diretora de conte√ļdo Nat√°lia Leal nos contou que a Ag√™ncia Lupa ter√° 20 profissionais atuando no monitoramento ativo das principais plataformas. Durante todo o fim de semana, as frentes de trabalho ser√£o: verifica√ß√Ķes de conte√ļdos que circulam nas redes sociais, apoiando os TREs e o TSE em casos que envolvam desinforma√ß√£o; checagens espec√≠ficas no Facebook e Instagram por meio do #Verificamos; produ√ß√£o de conte√ļdos de alerta sobre boatos que circularam nas √ļltimas semanas; intera√ß√£o com os leitores via WhatsApp, atrav√©s do chatbot; junto com o Congresso em Foco, produ√ß√£o de conte√ļdo para o Instagram do Canal Reload; e disponibiliza√ß√£o dos materiais para r√°dios e TVs universit√°rias que integram a rede Democracia Digital, formada pela Lupa neste ano para difundir checagens sobre elei√ß√Ķes. O Aos Fatos tamb√©m estar√° em plant√£o durante o final de semana, desbancando boatos que podem surgir sobre o processo eleitoral. Tai Nalon nos explicou que o monitoramento da ag√™ncia est√° focado nas amea√ßas e boatos sobre seguran√ßa do voto e das urnas e, particularmente, na seguran√ßa sanit√°ria da vota√ß√£o. ‚ÄúEm meio a uma pandemia podem surgir questionamentos sobre uso de m√°scara, luvas e se pessoas contaminadas pela Covid-19 devem votar ou n√£o. Estaremos atentos a isso‚ÄĚ, disse. Perguntamos tamb√©m √† diretora do Aos Fatos sobre o ass√©dio que a ag√™ncia vem sofrendo nas redes sociais. Pra quem n√£o acompanhou, o blogueiro Leandro Ruschel e o procurador Ailton Benedito est√£o atacando e instigando ataques ao ve√≠culo ap√≥s investiga√ß√£o de que disseminam desinforma√ß√£o. Tai Nalon afirmou que o Aos Fatos est√° sendo processado pelo procurador e tamb√©m pela deputada Bia Kicis. ‚ÄúO expediente adotado √© o mesmo: utilizar os juizados especiais para questionar o conte√ļdo de material jornal√≠stico alegando difama√ß√£o‚ÄĚ, disse. Jornalistas, ve√≠culos e √≥rg√£os de defesa da imprensa se manifestaram em solidariedade ao Aos Fatos, refor√ßando que todo jornalista tem o direito e o dever de checar falsidades de qualquer autoridade. Vale lembrar que, tamb√©m esta semana, Celso Russomanno entrou na Justi√ßa para censurar divulga√ß√£o de pesquisa do Datafolha sobre a corrida eleitoral de S√£o Paulo. O pedido chegou a ser acatado, mas a Justi√ßa Eleitoral acabou autorizando a publica√ß√£o, na quarta. Terminamos o bloco de elei√ß√Ķes com duas novidades: parceria entre iniciativas de jornalismo independente vai mapear casos de viol√™ncia no pleito. Eleitores podem denunciar por meio de um question√°rio viol√™ncias motivadas por quest√Ķes pol√≠ticas que sofreram ou testemunharam. Os relatos ser√£o apurados por rep√≥rteres da Ag√™ncia P√ļblica, Ag√™ncia Saiba Mais, Amaz√īnia Real, G√™nero e N√ļmero, Marco Zero, Plural, Ponte Jornalismo, Portal Catarinas e Projeto #Colabora. A outra novidade √© a cartilha ‚ÄėComo votar com seguran√ßa durante a pandemia‚Äô, feita pelo Voz das Comunidades para informar os mais de 15 grupos de moradores ligados ao projeto.


ūüĆļ Voc√™s viram. A mat√©ria publicada pelo The Intercept Brasil (TIB) sobre o julgamento do caso de estupro de Mariana Ferrer foi um dos principais assuntos da semana passada. De maneira geral, pelo absurdo da senten√ßa. Jornalisticamente, especialmente pelo uso da express√£o "estupro culposo", termo criado pelos editores do TIB para facilitar o entendimento do caso. Nas redes, a discuss√£o foi grande. A rep√≥rter Schirlei Alves foi perseguida e atacada (o que, nem precisar√≠amos dizer, √© injustific√°vel). Dentre as cr√≠ticas √† decis√£o editorial est√° a de que o tiro teria sa√≠do pela culatra, pois o debate p√ļblico se deslocou "para desmentir a exist√™ncia de "estupro culposo", como tuitou Luiza Bodenm√ľller. O TIB n√£o tem a mesma opini√£o: "Se o termo ‚ÄėEstupro Culposo‚Äô ‚Äď que gerou acirrados debates ‚Äď ajudar a fazer com que mulheres n√£o sejam mais as culpadas pela viol√™ncia que sofrem, o jornalismo est√° vencendo", tuitou o ve√≠culo na sexta √† noite. O tu√≠te trazia um link para reflex√Ķes dos editores sobre a express√£o, enviadas tamb√©m via newsletter. No texto, Paula Bianchi e Alexandre de Santi desenvolvem um longo racioc√≠nio para justificar o uso de "estupro culposo", sem ignorar a confus√£o causada pela cria√ß√£o da express√£o: "√Äs vezes, o jornalista n√£o erra fatos, mas erra por falta de clareza. Foi o nosso caso. Usamos as aspas para sinalizar o esp√≠rito figurado, mas parte da audi√™ncia interpretou como uso literal da express√£o, como se tiv√©ssemos copiado e colado ela dos autos do processo", escreveram. Para o jornalista e professor da Universidade Federal do Esp√≠rito Santo Edgar Rebou√ßas, o equ√≠voco vai al√©m do uso de aspas para sinalizar o sentido figurado - recurso com o qual ele n√£o concorda. No Observat√≥rio da Imprensa, o coordenador do Observat√≥rio da M√≠dia da UFES destaca a proximidade de "estupro culposo" da palavra senten√ßa, na manchete - o que levaria o p√ļblico a entender que a express√£o estaria na parte final do texto do processo. Mas a maior cr√≠tica de Rebou√ßas est√° na pr√≥pria cria√ß√£o da express√£o: "o que mais impressiona [...] √© o fato de dizer que inventar uma express√£o √© artif√≠cio usual ao jornalismo", escreveu. "Desculpem pela informa√ß√£o colegas, mas isso n√£o √© jornalismo. Ou n√£o deveria ser", acrescentou. Ta√≠ uma discuss√£o. Voltamos √† carta dos editores do TIB: "Quem se mobilizaria [...] se report√°ssemos que Andr√© Aranha foi inocentado por coisas como 'erro de tipo, do artigo 20 do C√≥digo Penal'?, perguntam Bianchi e De Santi, fazendo refer√™ncia a um jornalismo que, como eles dizem, n√£o se limita a reproduzir aspas literais de autoridades. Na newsletter do ObjETHOS, Rog√©rio Christofoletti e Dairan Paul fecham com o TIB: "N√£o se trata apenas de reducionismo, mas edi√ß√£o jornal√≠stica de um tema complexo". E a√≠, at√© onde vai a liberdade de interpreta√ß√£o do jornalismo?


ūüĆļ A pandemia impactou de forma dram√°tica e desigual a m√≠dia independente. Segundo novo relat√≥rio do Reuters Institute, a minoria das reda√ß√Ķes pesquisadas (14%) que est√£o com receita est√°vel ou crescente tendem a ser de pequeno ou m√©dio porte, nativos digitais e sem fins lucrativos. Os ve√≠culos comerciais com receita baseada em publicidade e os jornais locais foram os mais afetados pela crise. O Nieman Lab repercutiu o estudo.  E para entender mais sobre os desafios que a pandemia trouxe aos meios independentes da Am√©rica Latina, leiam este √≥timo resumo da live sobre monetiza√ß√£o e empreendedorismo, promovida pela GIJN. Mais um achado de pesquisa importante: tr√™s quartos dos jornalistas que participaram da pesquisa ‚ÄúJornalismo em tempos de Covid‚ÄĚ sofrem de estresse relacionado ao lock down. Vale dar uma olhada no relat√≥rio e neste texto do Journalism.co.uk, que mostram como a pandemia e o trabalho remoto afetaram a sa√ļde mental dos jornalistas. No Reino Unido, Facebook, Twitter e Google se comprometeram com o governo a acelerar respostas √† desinforma√ß√£o ‚Äėanti-vacina Covid-19‚Äô, diz este texto do PressGazette. Esses ser√£o os requisitos do novo perfil do jornalista p√≥s-pandemia, segundo Patricia S√°nchez, da Universidad Privada del Norte do Peru: capacidade de pesquisar e interpretar dados, al√©m de dom√≠nio de t√©cnicas inovadoras de escrita, de cria√ß√£o de conte√ļdo digital e de gest√£o de redes sociais. Leiam mais, no Clases de Periodismo.


ūüĆļ Vejam que ideia genial da The Markup. Para trazer de volta aquele resultado simples de busca, sem an√ļncios e outros boxes de conte√ļdo, eles criaram uma extens√£o de browser chamada ‚ÄúSimple Search‚ÄĚ. Fizemos o teste e funciona super bem. Sigamos com mais novidades das organiza√ß√Ķes jornal√≠sticas mundo afora. A ProPublica est√° utilizando ‚Äėplain language‚Äô em mat√©rias sobre pessoas com defici√™ncia. O Nieman Lab explica que esta √© uma t√©cnica de linguagem acess√≠vel, com texto que usa palavras comuns, frases curtas e estrutura clara. Voc√™s certamente conhecem o The Daily, n√©? Segundo este texto do PressGazette, o principal podcast do NYT atrai 4 milh√Ķes de ouvintes por dia, gera receita de publicidade em √°udio e est√° aumentando a reputa√ß√£o do jornal especialmente entre os jovens. Como parte de uma amplia√ß√£o em sua linha de neg√≥cios, a Reuters acaba de lan√ßar um projeto de oferta de not√≠cias, an√°lises e eventos para executivos e empresas de diversas √°reas. Segundo informou o Axios, o ‚ÄúReuters Profissional‚ÄĚ vai atuar em diversas plataformas digitais e tem a expectativa de gerar bom retorno financeiro. E vem do BuzzFeed um lan√ßamento inusitado: o BuzzFeed AirVibe √© um vibrador criado em parceria com a fabricante de produtos sexuais Bellesa. De acordo com o Digiday, trata-se de mais um esfor√ßo do ve√≠culo para se tornar autoridade na internet em sexo e bem-estar para millennials.


ūüĆļ Aquele giro nos destaques newsletters sobre jornalismo. O boletim da IJNet trouxe como destaque a mat√©ria de Fabiana Santos sobre o trabalho de Camila Appel, que desmascarou Jo√£o de Deus. A newsletter Diversa, da √ČNois, chamou para o Reda√ß√£o Aberta #17, que vai ensinar a ajudar sua v√≥ a n√£o compartilhar informa√ß√Ķes falsas. L√° fora, a √ļltima edi√ß√£o da news da Global Investigative Journalism Network destacou, entre outras coisas, as ferramentas favoritas do jornalista russo Roman Anin. A Latam Journalism Review trouxe dicas sobre como se beneficiar de bolsas nos EUA. Na Wonder Tools, Jeremy Caplan ensina a usar o Glide, um aplicativo que transforma planilhas em um app. A √ļltima RQ1 fala sobre a rela√ß√£o entre influenciadores e jornalismo. Pra fechar, a Conversations with Data veio com uma entrevista com o jornalista Tim Harford sobre o seu livro "How to Make the World Add Up".


ūüĆļ Por fim, um bloquinho de link DIVERSOS. No Clases de Periodismo, um guia para usar a intelig√™ncia artificial para contar melhores hist√≥rias. | No Novo em Folha, informa√ß√Ķes sobre curso do Poynter sobre jornalismo e trauma. | O Congresso da Intercom come√ßa dia 1¬ļ/12. Veja a programa√ß√£o. | No dia 18/11, Insper e Newsletter Peri√≥dica promovem um webinar sobre sustentabilidade financeira de ONGs jornal√≠sticas. Informa√ß√Ķes aqui. | O grupo GJol divulgou as mais recentes publica√ß√Ķes sobre jornalismo imersivo. | O Poynter ajuda a escolher uma plataforma de membership. | No Journalism.co.uk, dicas de apps para gravar no Iphone.


√Č isso, gente.

Bom final de semana e até sexta que vem!

Moreno e Lívia


Nosso agradecimento de <3 vai para:

Adri Brum, Adriana Martorano Vieira, Alciane Baccin, Ana Claudia Gruszynski, Anderson Meneses, Andr√© Caramante, Andr√© Roca, Andr√© Schr√∂der, Andrei Rossetto, Ariane Camilo Pinheiro Alves, B√°rbara Pereira Lib√≥rio, Beatriz de Arruda, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Garcez, Bibiana Os√≥rio, Boanerges Balbino Lopes Filho, Caio Cesar Giannini Oliviera, Carolina Oms, Casemiro Alves, Cristiane Lindemann, Davi Souza Monteiro de Barros, Diego Escosteguy, Diego Freitas Furtado, Diego Queijo, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Estelita Hass Carazzai, Fabiana Moraes, F√™Cris Vasconcellos, Felipe Branco Cruz, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriela Favre, Giuliander Carpes, Giulliana Bianconi, Guilherme Nagamine, Jana√≠na Kalsing, Jo√£o Vicente Ribas, Jonas Gon√ßalves da Silva, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Leticia Monteiro, Lia Gabriela Pagoto, Lilian Venturini Gavald√£o, Lucia Monteiro Mesquita, Luciana Kraemer, Luiza Bandeira, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco T√ļlio Pires, Margot Pavan, Maria Carolina Medeiros, Maria Elisa Maximo, Maria In√™s M√∂llmann, Mayara Penina, Michelle Raphaelli, Nadia Leal, Nara Leal, Nat√°lia Levien Leal, N√≠colas Barbosa, Noites Gregas, Paula Bianchi, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Os√≥rio, Pedro Rocha Franco, Priscila dos Santos Pacheco, Rafael Grohmann, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Roberto Nogueira Gerosa, Roberto Villar Belmonte, Rodrigo Muzell, Rogerio Christofoletti, Rose Ang√©lica do Nascimento, Rosental C Alves, Samanta Dias do Carmo, S√©rgio L√ľdtke, S√©rgio Spagnuolo, Silvio Sodr√©, Suzana Oliveira Barbosa, Tai Nalon, Tais Seibt, Vivian Augustin Eichler, Washington Jos√© de Souza Filho.

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