NFJ#308 oferecida por Science Pulse 🌺 Por que a confiança nas notícias está se deteriorando?

250 soluções contra a desinformação | Lições para monetização de conteúdos digitais | O paradoxo do Substack | A importância da disciplina | Ataques a jornalistas mulheres: do "virtual" para o "real"

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Buenas, moçada!

Moreno aqui. Que tal vai a coisa por aí?

Faz tempo que não falamos de Covid-19 aqui no começo da news, né. Talvez porque tínhamos esperança de que a coisa estava AMAINANDO. Mas não. Voltamos a março. Aqui em Porto Alegre, vivemos o pior momento da pandemia. Então acho que é uma boa hora de ler esta thread. Na sequência de tuítes, o cardiologista José Alencar explica o que é a Medicina Baseada em Evidências e qual sua importância para rechaçar “drogas de mentirinha”. Ótima leitura. Até porque o Natal tá chegando e, né, com ele, tensões e discussões durante a ceia em família (aqui não, graças!).

Os tuítes de Alencar foram destaque no Science Pulse.

Aliás, essa publicação apareceu com destaque na ferramenta graças a uma mudança no algoritmo que favorece a descoberta de perfis com menos seguidores. Massa, hein! A atualização rolou nesta semana. Deem uma olhada nos novos filtros de pesquisa. E na semana que vem tem outra novidade: a interface do Pulse vai ser toda em português.

Vocês conhecem o Pulse. É um projeto do ICFJ Knight Fellow Sérgio Spagnuolo, em colaboração com Volt Data Lab e apoio do International Center for Journalists (ICFJ) e da Agência Bori. O social listening do Pulse nos ajuda a conhecer e conversar com cientistas e a melhorar o nosso entendimento sobre a ciência e, consequentemente, a nossa cobertura - especialmente sobre a Covid-19. Deem uma olhada lá.

Ah, e não esqueçam de responder a pesquisa que o Pulse está fazendo. O objetivo é melhorar a ferramenta, tornando o serviço mais útil. Ao participar, vocês podem concorrer a uma Amazon Echo Dot. Seria lindo, não? Acessem lá, então.

Agora, bora pra newsletter.

A edição 308 tem texto da Lívia e meu, curadoria da Lívia e edição final minha.


🌺 TSE e WhatsApp divulgaram esta semana os resultados da parceria para combater notícias falsas. O WhatsApp identificou 3.527 contas válidas e baniu 1.042 números (29,5%) por violação de seus termos de serviço. Sérgio Spagnuolo bem observou que “nossa autoridade eleitoral e o maior aplicativo de mensagens do mundo, juntos, coletaram menos denúncias válidas num período de 2 meses do que o Aos Fatos coleta em uma semana com o Radar (apenas nessa plataforma)”. Falando em Aos Fatos, a Justiça do DF rejeitou o pedido de censura desta reportagem, feito pela deputada Bia Kicis. A sentença destaca que "o interesse público legitima a liberdade de expressão, de informação e de veiculação da imagem, ao qual está atrelada a liberdade de imprensa”. No sábado passado, véspera da eleição, uma pesquisa falsa foi divulgada do Datafolha em Porto Alegre pelo site da Band. A emissora atribuiu o erro a uma falha humana. Relatório do Forum on Information & Democracy listou 250 soluções para enfrentar a desinformação e concluiu que “uma solução estrutural é possível para acabar com o caos informacional que representa uma ameaça vital para as democracias”. O Poynter destacou 12 recomendações, entre elas regulação e transparência. No Nieman Lab, repercussão de estudo muito interessante do First Draft sobre a “zona de penumbra” nas pesquisas sobre desinformação, devido ao limitado acesso aos dados. Segundo os pesquisadores, normalmente se estuda contas com grande número de seguidores, hashtags de tendência ou utiliza-se abordagens qualitativas em grupos privados nas plataformas. “Tudo isso é valioso, mas não suficiente para compreender o ecossistema como um todo”. Também no Nieman Lab, um resumo do webinar com Joan Donovan, diretor de Pesquisa do Shorenstein Center. Para ele, é importante focar em como atores mal intencionados usam a tecnologia e exercem seu poder para aumentar certos tipos de desinformação, como as teorias conspiratórias sobre a Covid-19 ou falsas alegações sobre fraude eleitoral. E dá algumas sugestões para restaurar a "ordem moral e técnica", entre elas a construção de um plano de distribuição de conteúdos credíveis que também apoie a mídia pública.


🌺 Vocês viram. Rubens Valente teve acesso ao “Mapa dos Influenciadores”, levantamento feito a pedido do Ministério da Economia sobre o comportamento de 81 “influenciadores” - 44 deles jornalistas - nas redes sociais. A Abraji ouviu especialistas no assunto. Bernardo Vianna, do Insper, explicou que os termos usados no documento (detratores, favoráveis e neutros) são comuns em monitoramentos feitos para empresas privadas, mas o “problema é que a estratégia de marketing ganha novos contornos quando recursos públicos são empregados para acompanhar e estigmatizar profissionais de imprensa”. Pesquisa do ICFJ e Unesco, divulgada pelo The Conversation, traz um dado preocupante: ataques virtuais a mulheres jornalistas estão cada vez mais chegando ao “mundo real”. Cerca de 20% das mulheres entrevistadas relataram ter sido alvo de abusos e ataques offline que acreditam estar relacionados à violência online que sofreram. Na LatAm Journalism Review, informações sobre as audiências públicas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos que vão avaliar a situação de direitos humanos como a liberdade de expressão na América Latina. E também: três exemplos de veículos latino-americanos que estão enfrentando desinformação com educação, com foco na formação de leitores críticos em seus anos escolares. Redações jornalísticas precisam de repórteres jovens, defende Izin Akhabau neste texto para o Reuters Institute. A jornalista pondera que muitas organizações optam por contratar jovens por causa dos salários mais baixos e que isso impede a diversidade nas redações. No entanto, “a perspectiva de um novo par de olhos traz energia para iniciativas que todos gostariam de implementar, mas nunca realizaram porque estão presos em suas rotinas”, defende.


🌺 Por que a confiança nas notícias está se deteriorando? O que pode ser feito quanto a isso? Essas são as perguntas do novo relatório do Reuters Institute, que identificou que o entendimento da audiência sobre como o jornalismo funciona é baixo, e as mídias sociais não estão ajudando. Por isso, organizações de notícias que querem restaurar a confiança do público precisam ser específicas em seus objetivos e basear seu trabalho em evidências. Essa thread explica os achados da pesquisa. No Poynter, Benjamin Toff, um dos autores, fez um bom resumo do relatório. Já o Nieman Lab destacou o que os pesquisadores não sabem ainda sobre o assunto, por exemplo, como as plataformas são prejudiciais às identidades de marca das organizações de notícias. Com foco na sustentabilidade do jornalismo, relatório do House of Lords Communications and Digital Committee concluiu que as plataformas devem pagar pelas notícias que veiculam e que é preciso consertar o 'mercado disfuncional de publicidade online'. Leiam esta entrevista com um dos autores, no Journalism.co.uk. Pra fechar o bloco de análises sobre jornalismo, o Journalism.co.uk destacou as falas de Eliot Higgins, do Bellingcat, e da jornalista Amelia Gentleman nesta conferência online. Eles revelaram alguns de seus métodos de investigação e refletiram sobre a linha tênue entre reportar a verdade e defender mudanças, o que pode ser interpretado como ativismo.


🌺 Ao completar 100 episódios de seu podcast sobre como os publishers criam, distribuem e monetizar conteúdos digitais, Simon Owens compartilha lições aprendidas. “Consistência e frequência levam a crescimento de público” está entre elas. Leiam mais, no WNIP. A ferramenta de newsletters Substack é novamente tema de artigo, devido a seu crescente uso por jornalistas (na semana passada indicamos este texto da Wired). Clio Chang questiona, na CJR: o Substack criou um sistema de mídia mais justo ou reproduziu as falhas do antigo? “A escrita é um empreendimento individualista, mas o jornalismo é coletivo. E esse é o paradoxo do Substack: é uma maneira de sair de uma redação - e do racismo, assédio ou capitalismo de abutre que encontramos lá - mas é uma saída completa, e por conta própria”, afirma. O NYT terá US$ 4 milhões de patrocínio de três fundações para o Headway, iniciativa de jornalismo investigativo para temas globais como saúde e meio ambiente. O objetivo é produzir de 10 a 12 projetos de fôlego por ano, visualmente atraentes e ricos em dados. Recomendamos a leitura desta entrevista com Brian Hamman, publicada no Nieman Lab. O vice-presidente sênior de engenharia de produto do NYT contou como o veículo se preparou para as eleições deste ano, que teve 237 milhões de leitores online durante a semana do pleito. Simulação de resultados incomuns, mas possíveis; e testes de stress no site para identificar áreas problemáticas foram algumas das ações. Neste artigo de opinião para o Guardian, Tom Mills, professor da Aston University, compartilha seu estudo quantitativo sobre o uso do Twitter por 90 jornalistas da BBC. A pesquisa monitorou as contas de políticos que esses jornalistas seguem e descobriu que os jornalistas são mais propensos a seguir parlamentares conservadores em geral (apesar de os traballhistas terem mais seguidores).


🌺 Vamos àquela rodada de destaques das mais recentes newsletters sobre jornalismo. A DigiLabour #95 circulou no domingo fazendo a seguinte pergunta: a economia das plataformas pode ser sustentável? A Weekly Briefing da sexta passada trouxe investigações sobre desinformação relacionada à vacina da AstraZeneca. A manchete do último boletim da IJNet destacou uma reportagem sobre a importância da divulgação científica nas redes sociais. A newsletter do Tow Center veio com uma análise de Emily Bell sobre conselho do Facebook (falamos sobre isso na NFJ#279). Uma newsletter da Énois que chegou ontem chamou a atenção para a campanha #DiadeDoar, que reúne 18 organizações jornalísticas espalhadas pelo Brasil. A Conversations with Data, do EJC, reuniu recursos apresentados em sessões de treinamento para jornalistas freelancers. Na Monday Note #609, Frederic Filloux fala sobre o acordo do Google com a mídia francesa. A última newsletter de 2020 da Escola de Dados destacou, entre outras coisas, um relatório que explora os usos abusivos de inteligência artificial. A news da Pública da sexta passada veio com a primeira parte de uma crônica assinada pela Natalia Viana sobre a importância do WikiLeaks. Por fim, Jeremy Caplan falou, na Wonder Tools enviada ontem, sobre aplicativos para fotos.


🌺 Bloco de diversos pra fechar. No Puro Periodismo, bolsas, cursos e festivais para jornalistas durante dezembro e janeiro. | No Clases de Periodismo, recomendações para o Facebook Live. | No Online Journalism Blog, Paul Bradshaw fala sobre disciplina, um dos sete hábitos de jornalistas de sucesso. | Tem vaga de Gerente de comunicação digital na Abraji. | Falando em Abraji, está no ar o segundo episódio do podcast Jornalismo sem Trégua. | No sul, repercussão da cobertura do assalto em Criciúma faz o programa da rádio Gaúcha perder patrocinadores. | Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa homenageia a atividade jornalística pela atuação durante a pandemia. A Associação Brasileira de Imprensa lançou um programa de esportes no YouTube. A primeira entrevistada é a jogadora de vôlei de praia Carol Solberg. | Tá rolando o congresso da Intercom. Dá pra conferir a cobertura das mesas aqui. | No Jota, Bruno Morassutti e Maria Vitória Ramos, do Fiquem Sabendo, assinam um artigo explicando como o governo federal piorou o sistema de acesso à informação. | Repercutindo muito, no momento em que fechamos a news, esta reportagem da Piauí sobre assédios sexuais cometidos pelo humorista Marcius Melhem. | Agora, pra fechar com uma coisa boa. Na semana que vem, dia 8, o curso de jornalismo da PUC-RS vai promover o evento Credibilidade em jogo: jornalismo contra a desinformação. Entre os convidados estão Leandro Demori, Fabiana Moraes, Letícia Arcoverde e o pesquisador norte-americano CW Anderson. O evento será transmitido pelo canal YouTube da PUC-RS a partir das 15h30 da próxima terça.


É isso, pessoal!

Bom final de semana e até sexta que vem!

Moreno Osório e Lívia Vieira


Nosso agradecimento de <3 vai para:

Adri Brum, Adriana Martorano Vieira, Alciane Baccin, Ana Claudia Gruszynski, Anderson Meneses, André Caramante, André Roca, André Schröder, Andrei Rossetto, Ariane Camilo Pinheiro Alves, Bárbara Pereira Libório, Beatriz de Arruda, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Garcez, Bibiana Osório, Boanerges Balbino Lopes Filho, Caio Cesar Giannini Oliviera, Carolina Oms, Casemiro Alves, Cristiane Lindemann, Davi Souza Monteiro de Barros, Diego Escosteguy, Diego Freitas Furtado, Diego Queijo, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Estelita Hass Carazzai, Fabiana Moraes, FêCris Vasconcellos, Felipe Branco Cruz, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriela Favre, Giuliander Carpes, Giulliana Bianconi, Guilherme Nagamine, Janaína Kalsing, João Vicente Ribas, Jonas Gonçalves da Silva, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Leticia Monteiro, Lia Gabriela Pagoto, Lilian Venturini Gavaldão, Lucia Monteiro Mesquita, Luciana Kraemer, Luiza Bandeira, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Maria Carolina Medeiros, Maria Elisa Maximo, Maria Inês Möllmann, Mayara Penina, Michelle Raphaelli, Nadia Leal, Nara Leal, Natália Levien Leal, Nícolas Barbosa, Filipe Speck/Noites Gregas, Paula Bianchi, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Pedro Rocha Franco, Priscila dos Santos Pacheco, Rafael Grohmann, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Roberto Nogueira Gerosa, Roberto Villar Belmonte, Rodrigo Muzell, Rogerio Christofoletti, Rose Angélica do Nascimento, Rosental C Alves, Samanta Dias do Carmo, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Suzana Oliveira Barbosa, Tai Nalon, Tais Seibt, Vivian Augustin Eichler, Washington José de Souza Filho.

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