NFJ#310 oferecida por Science Pulse 🌺 Apostar na pluralidade será fundamental para o jornalismo em 2021

Para os 9 autores convidados por Farol Jornalismo e Abraji, a pluralidade é o caminho para o jornalismo estreitar sua relação com a sociedade no ano que vem

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Buenas, moçada! Moreno aqui.

Bem-vindos e bem-vindas à última Newsletter Farol Jornalismo do ano. Para nós, este é um momento especial. Isso porque é a época da publição do especial O jornalismo no Brasil, em parceria com a Abraji. Já é um tradição: neste ano é a quinta vez que colocarmos no ar a coleção de textos que projeta a profissão no país para o ano que se aproxima. O primeiro ano a ser projetado foi 2017. Depois veio 18, 19 e 20.

Já é história, hein? Começa a ficar legal de colocar as coisas em perspectiva.

Desde o início, o especial abre com um editorial que sistematiza as projeções dos autores convidados. Dar uma olhada neles nos dá uma ideia de como se movimentou o jornalismo nesses últimos cinco anos. Se liguem:

O que esses textos/títulos podem nos dizer a respeito da evolução do nosso jornalismo recentemente? E aí, o que vocês acham? Fica a provocação. 😉

Bom, a última NFJ do ano é uma edição especial em que trazemos a íntegra do texto de abertura d’O jornalismo no Brasil em 2021. Esta também é a última newsletter da primavera. Hora de se despedir da flor de hibusco que dá início a cada bloco. Nesta edição, cada uma delas marca um parágrafo do texto de abertura do especial. Se preferirem ler onde ele foi publicado originalmente, venham aqui.

No último bloco vocês vão encontrar o ☀️. Ele abre o nosso tradicional bloco de diversos, hoje editado pela Lívia, anunciando o verão que está logo ali.

E como estamos na edição DERRADEIRA do ano, deixem eu compartilhar com vocês um recado do nosso parceiro Sérgio Spagnuolo, do Science Pulse.

"2020 foi um ano no qual a ciência esteve em evidência, e fico orgulhoso que o Science Pulse ajudou, mesmo que só um pouquinho, a trazer mais ciência para o jornalismo. Gostaria de agradecer aos jornalistas e cientistas que nos ajudaram a melhorar a ferramenta, e também à excelente equipe do Volt Data Lab que deu vida ao projeto: Lucas Gelape, Jade Drummond, Felippe Mercurio, Lucas Lago, Renata Hirota, Alexandre Orrico e Rodolfo Almeida. Bom fim de ano para todos e vamos continuar promovendo a ciência e o jornalismo em 2021. Um abraço meu e da Patela pra vocês."

Vocês conhecem o Pulse. É um projeto do ICFJ Knight Fellow Sérgio Spagnuolo, em colaboração com Volt Data Lab e apoio do International Center for Journalists (ICFJ) e da Agência Bori. O social listening do Pulse nos ajuda a conhecer e conversar com cientistas e a melhorar o nosso entendimento sobre a ciência e, consequentemente, a nossa cobertura - especialmente sobre a Covid-19. Deem uma olhada lá.

Agora, bora.


🌺 As crises sanitária e política impostas aos brasileiros em 2020 fortaleceram o jornalismo. A condução errática e irresponsável dos esforços de combate ao coronavírus pelos agentes públicos contribuiu para a imprensa afirmar-se como ator decisivo em defesa da vida das pessoas. Quando ficou claro que a circulação de informações confiáveis poderia ser questão de vida ou morte, foi o jornalismo quem garantiu acesso a dados que governos não souberam gerenciar ou não quiseram publicizar. A consciência da relação entre saúde da população e direito à informação deu concretude à ideia de defesa da democracia, reafirmando a importância do jornalismo, mesmo sob ataques do executivo federal e de parcelas da sociedade.


🌺 Em 2021, o coronavírus permanecerá circulando, os governos seguirão omissos e os ataques não cessarão. Para conquistar mais relevância e responder às hostilidades, o jornalismo precisará ampliar o entendimento e a relação com a sociedade à qual serve. Por um lado, deverá reforçar os mecanismos que o permitem zelar pelo bem público, especialmente a capacidade de investigação. Por outro, e mais importante, precisará esforçar-se para abraçar, cada vez mais, a pluralidade de um país continental e desigual. O que significará, algumas vezes, ampliar suas próprias fronteiras de maneira a se colocar lado a lado com outros atores que defendem os valores democráticos.


🌺 Ampliar suas fronteiras significará estar atento ao que acontece nas bordas do jornalismo tal como o conhecemos historicamente. Por isso, em 2021, veremos o fortalecimento de um jornalismo mais combativo, plural e antirracista. Veremos ganhar protagonismo um jornalismo produzido não necessariamente por jornalistas profissionais, mas por comunicadores periféricos que usam a ética e a linguagem jornalística para informar e para se relacionar com o seu público. Observaremos um jornalismo mais atento aos discursos das redes sociais, que, a despeito da toxidade, vêm se mostrando um ambiente frutífero para o surgimento de narrativas capazes de moldar o discurso público.


🌺 O desafio é enorme. Até porque dificuldades identificadas em edições anteriores deste projeto se mantêm. A crise do modelo de negócio e a corrida por novas formas de sustentabilidade ainda são realidade. Bem como a desinformação, que segue recebendo grande parte dos esforços jornalísticos no mundo inteiro. Em anos recentes, ambas passaram pela relação do jornalismo com as grandes plataformas. Em 2021 não será diferente. Agora, com um agravante, já que o ecossistema independente — protagonista da expansão de fronteiras necessária para manter a relevância do jornalismo — é o mais frágil economicamente e, portanto, o mais dependente do dinheiro das gigantes da tecnologia.


🌺 A essas dificuldades a pandemia impôs outras duas situações com as quais o jornalismo precisará lidar em 2021: a precarização do trabalho e a qualidade da saúde mental de seus profissionais. Nenhuma das duas é novidade, mas o home office e a natureza da cobertura da pandemia as agravaram de forma brutal. Os jornalistas encerram 2020 quebrados — mental e financeiramente. Refletir e agir sobre essa realidade será decisivo para que o jornalismo se mostre relevante e digno de credibilidade em 2021. Mas não será fácil. As duas frentes mexem com formas de organização do trabalho e com a maneira pela qual jornalistas veem a si próprios, ambas arraigadas no imaginário da profissão.


🌺 Pela quinta vez, o Farol Jornalismo e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) convidam jornalistas e pesquisadores a refletir sobre o que espera o jornalismo no ano que se aproxima. Se o contínuo é a medida do descontínuo, pode-se dizer que 2020 foi um ano extraordinário. E rupturas suscitam busca pela explicação: no mundo inteiro, as pessoas precisaram reatribuir sentido ao cotidiano quando a pandemia virou suas vidas de cabeça para baixo. E no Brasil de gestores hesitantes, muitas vezes coube à imprensa organizar informações capazes de oferecer alguma certeza em meio ao caos. Isso abriu possibilidades ao jornalismo. Identificar como aproveitá-las é o desafio dos 9 autores desta edição d’O jornalismo no Brasil.


🌺 Para Luiza Caires, Editora de Ciências do Jornal da USP, o jornalismo científico brasileiro em 2021 será mais investigativo, e precisará mobilizar práticas de outras especialidades. “Um bom jornalista de ciências não deve apenas ser capaz de transformar informações complexas da biologia, ciências exatas e humanas em notícias compreensíveis, e que façam sentido na vida do público. Precisa também entender como essas notícias conversam com o ambiente político e social da atualidade, escreveu. Além disso, Caires chama a atenção para a necessidade de fugir da “enganosa neutralidade do ouvir vários lados”. “Não vejo”, segue ela, “incompatibilidade com a profissão ou demérito no fato de o jornalismo científico se assumir aliado aos valores da boa ciência”.


🌺 Ao assumir um lado, ainda que seja o lado da defesa da ciência e dos direitos humanos, o jornalismo acaba por tensionar ideias que ainda pairam sobre a definição do que ele é (ou do que deveria ser). Em parte, as hostilidades sofridas pela profissão podem ser explicadas por apropriações às vezes simplistas, às vezes desonestas, de valores como neutralidade e imparcialidade. Assim, a escalada de ataques deve continuar no próximo ano, deteriorando ainda mais o ambiente democrático, projeta Débora Prado, da ONG Artigo 19. Como resposta, escreve, o jornalismo precisará estar atento a “circulação de informações diversas, produzidas com responsabilidade e a partir das diferentes realidades vividas no país são um caminho sólido para enfrentar um cenário adverso.” Esta atenção passará, em 2021, pelo que vem moldando o jornalismo de fora para dentro.


🌺 Pedro Borges, do Alma Pretasublinha a importância do jornalismo local e periférico e negro na contínua construção da credibilidade do jornalismo junto ao seu público. “A relação de confiança entre comunicadores e territórios é construída principalmente a partir do contato cotidiano e direto”, escreve ele, salientando que este vínculo se fortaleceu ainda mais em 2020. “Em 2021, a experiência positiva de coletivos de comunicadores negros e das periferias durante a pandemia pode inspirar o surgimento de outros grupos de jornalistas (ou não) nestes territórios”. Para Borges, este movimento será fundamental para o jornalismo, “informando com qualidade os desertos de notícia e, consequentemente, ajudando a desenvolver um país diferente, menos desigual e menos violento”.


🌺 Já a professora e pesquisadora Cleidiana Ramos destaca os discursos antirracistas que emergem das redes sociais e que se mostram capazes de moldar o jornalismo. “Parte de uma luta que atravessa a história do país, o antirracismo e a valorização da cultura afrobrasileira encontrará no ambiente digital ainda mais combustível para a luta pela diversidade e representatividade no jornalismo e, consequentemente, nos diversos meios sociais”, escreve Ramos. Citando acontecimentos como a pressão que desencadeou uma mudança no programa Em Pauta, da Globonews, ela acredita que em 2021 essa dinâmica deve se intensificar, “beneficiando-se da intersecção crescente entre o campo jornalístico e outras formas de comunicação nativas do ambiente digital. Em especial, merecerá atenção sua potencialidade para pautar mídias tradicionais.”


🌺 Por fim, Caê Vasconcelos, da Ponte Jornalismoamplia a discussão ao clamar por um jornalismo para todas as pessoas LGBTs. Segundo ele, é preciso “entender que vivemos em uma sociedade construída em cima do sexismo, da LGBTfobia e do racismo”. E para que em 2021 o jornalismo possa ser de fato inclusivo, precisará olhar para fora da “bolha cishétero branca burguesa” em que vive. “O jornalismo em 2021 precisa entender que a diversidade só pode ser feita com mulheres e homens trans, travestis, pessoas não-binárias, intersexo e agêneras. O jornalismo em 2021 precisa entender que a diversidade só pode ser feita com pessoas negras e periféricas”, escreve. Como dar visibilidade a esses jornalismos? Como mantê-los sustentáveis financeiramente?


🌺 Para refletir sobre essas questões será preciso encarar a relação do jornalismo com as grandes plataformas. Se nos últimos anos a discussão a respeito dessa dinâmica se concentrou na distribuição de conteúdo e na desinformação, recentemente ela ganhou um novo capítulo: o investimento que as Big Techs têm feito no jornalismo no mundo inteiro. Para Guilherme Felitti, da Novelo Data, “a concentração de poder e dinheiro na mão de poucas empresas de tecnologia atingiu diretamente o jornalismo não apenas por desmontar o modelo de negócio […], mas também por introduzir incontáveis armadilhas travestidas de boias de salvação”. Não há uma saída fácil. Caberá ao jornalismo encontrar um equilíbrio capaz de manter a independência necessária para sua afirmação.


🌺 Também será necessário equilíbrio para atuar na encruzilhada entre a transparência e a proteção de dados. Essa é a aposta de Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da Open Knowledge no Brasil, ao refletir sobre como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) vai afetar o trabalho jornalístico em 2021. “Com os esforços de cobertura da pandemia de Covid-19, o ano de 2020 ensinou que o jornalismo pode ser a força-motriz para reverter retrocessos de transparência e alavancar a abertura de dados”, escreve, acrescentando que o “processo de abertura sem precedentes na área de saúde” deve “se estender a outros setores de política pública”. Para ela, 2021, com os novos mandatos iniciando nas prefeituras municipais, será o momento propício para ampliar essa cobrança. Os desafio das Big Techs e da transparência não são os únicos.


🌺 A pandemia mudou a forma como o jornalismo foi produzido ao longo de 2020. O isolamento ceifou um dos principais ativos da prática profissional: a observação in loco. Mas para além das dificuldades impostas à produção narrativa, o longo período de quarentena esvaziou redações e os jornalistas foram trabalhar em casa. home office escancarou o conhecido processo de precarização da profissão, observa a presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Maria José Braga. “Para que se mantenha e se intensifique a revalorização do jornalismo pelo público, ocorrida durante a pandemia, e para garantir a qualidade do jornalismo em 2021, é preciso valorizar o profissional jornalista”, escreve. O problema, diz ela, é que não há elementos que indiquem essa revalorização.


🌺 A precarização não compromete apenas a qualidade do jornalismo. O trabalhador também é afetado. Não apenas financeiramente, mas também mentalmente. Em 2020, a pandemia tirou o véu dessa inferência óbvia ao impor aos jornalistas uma cobertura extenuante. “Há uma certa insalubridade em relatar e estar em contato direto com aquilo que de mais aflitivo acontece no mundo”, disse Marco Túlio Pires, do Google News Lab, a Guilherme Valadares, diretor de pesquisa no Instituto de Pesquisa & Desenvolvimento em Florescimento Humano e fundador do site Papo de Homem. Para Valadares, será preciso colocar a saúde mental dos jornalistas no centro da pauta. Até porque “jornalistas exaustos, deprimidos, ansiosos, sobrecarregados e insones narram um mundo atravessado por essa paisagem emocional”.


🌺 Já está ficando claro que, a exemplo do ano que se encerra em poucos dias, 2021 será difícil. Ao jornalismo, mais do que narrar os acontecimentos que se avizinham, caberá ajudar a construir uma realidade melhor. Para isso, precisará seguir defendendo de forma firme os valores éticos e deontológicos que constituem o seu exercício profissional. Mas também será preciso ser mais plural e estar aberto a novas vozes, novas práticas, novos corpos. Só assim o jornalismo se mostrará capaz de continuar atuando de forma cada vez mais decisiva na defesa da democracia e da saúde da população no ano que se aproxima.


☀️ Pra fechar a última NFJ do ano, vamos de LINKS SORTIDOS. No ObjETHOS, Rogério Christofoletti afirma que 2020 foi o ano em que o jornalismo reagiu aos ataques de Bolsonaro. | A CJR fez uma lista das melhores reportagens do ano sobre a pandemia. | No Novo em Folha, dicas de livros escritos por jornalistas para presentear neste Natal. | Tem textos novos no Predictions for Journalism 2021, do Nieman Lab. | Raphael Garcia avalia que a mídia brasileira vive seu “momento Black lives matter”, mas que racismo ainda persiste. | Na Folha: número de mulheres jornalistas presas cresce 35% no mundo, segundo relatório da RSF. | Abraji e outras organizações pedem o fim dos discursos estigmatizantes e do assédio judicial contra a imprensa. | A Frente em Defesa da EBC e da Comunicação Pública lançou ontem o primeiro relatório da Ouvidoria Cidadã da EBC. | Leiam a primeira coluna de Fabiana Moraes no Intercept Brasil. | A Fiquem Sabendo explica como obter documentos secretos dos governos, com base na LAI. | O professor Rodrigo Cunha fez um fio com artigos nacionais e internacionais sobre jornalismo de dados. | No Journalism.co.uk, conheçam um jogo interativo que faz os leitores se colocarem no lugar dos sem-teto.


Então, moçada, 2020 já era. Esperamos que 2021 seja um ano no mínimo melhorzinho que esse 2020. Por aqui, vamos descansar até o dia 8/1, quando a NFJ volta para as quatro primeiras edições de verão. Aí paramos em fevereiro para merecidas férias.

Em meu nome e da Lívia, desejamos a vocês um feliz Natal e um ótimo início de ano, apesar de tudo. Nos vemos em 2021! E apoiem o Farol Jornalismo! :D

Moreno Osório e Lívia Vieira


Nosso agradecimento de <3 vai para:

Adri Brum, Adriana Martorano Vieira, Alciane Baccin, Ana Claudia Gruszynski, André Caramante, André Roca, André Schröder, Andrei Rossetto, Ariane Camilo Pinheiro Alves, Bárbara Pereira Libório, Beatriz de Arruda, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Garcez, Bibiana Osório, Boanerges Balbino Lopes Filho, Caio Cesar Giannini Oliviera, Carolina Oms, Casemiro Alves, Cristiane Lindemann, Davi Souza Monteiro de Barros, Diego Freitas Furtado, Diego Queijo, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Emilene Lopes, Estelita Hass Carazzai, Fabiana Moraes, FêCris Vasconcellos, Felipe Branco Cruz, Felipe Seligman, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriela Favre, Giuliander Carpes, Giulliana Bianconi, Guilherme Nagamine, Janaína Kalsing, João Vicente Ribas, Jonas Gonçalves da Silva, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Leticia Monteiro, Lia Gabriela Pagoto, Lilian Venturini Gavaldão, Lucia Monteiro Mesquita, Luciana Kraemer, Luiza Bandeira, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Maria Carolina Medeiros, Maria Elisa Maximo, Maria Inês Möllmann, Mateus Marcel Netzel, Mayara Penina, Michelle Raphaelli, Nadia Leal, Nara Leal, Natália Levien Leal, Nícolas Barbosa, Paula Bianchi, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Pedro Rocha Franco, Priscila dos Santos Pacheco, Rafael Grohmann, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Roberto Nogueira Gerosa, Roberto Villar Belmonte,Rodrigo Muzell, Rogerio Christofoletti, Rosental C Alves, Samanta Dias do Carmo, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Suzana Oliveira Barbosa, Tai Nalon, Tais Seibt, Vivian Augustin Eichler, Washington José de Souza Filho.

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