NFJ#335 ❄️ Nos EUA, metade dos grandes jornais diários é liderada por mulheres ou pessoas negras

Notícias das Olimpíadas | Relatório de liberdade de expressão da Artigo19 | Os ataques misóginos de Bolsonaro | Abraji abre inscrições | Curso sobre produto no jornalismo | Newsletters investigativas

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Buenas!

Moreno aqui, junto com a Lívia tocando a edição 335 da Newsletter Farol Jornalismo.

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Certo, vamos nessa.


❄️ E se os veículos jornalísticos fossem impedidos de colocar sob paywall notícias “de caráter público”? É o que pretende o projeto de lei do deputado Bosco Costa (PL-SE). De acordo com esta matéria do Comunique-se, o texto tem como base a garantia dos princípios de acessibilidade, universalidade, igualdade, e justiça social, atribuídos à internet. Se aprovado, o projeto irá alterar o Marco Civil da Internet. “Campanhas de vacinação, políticas de recadastramento de idosos e programas para regularização de documentos” são alguns dos conteúdos que teriam o acesso liberado, segundo o deputado. Ainda no ramo da política, vocês viram. No Dia do Agricultor, a Secretaria de Comunicação do governo federal compartilhou, nas redes sociais, imagem de um homem armado em meio a uma plantação (!). Depois de reações críticas ao uso da foto, a Secom apagou a postagem, conforme observou o Nexo Jornal. Na NFJ #326 repercutimos a ofensiva da PGR contra o colunista e professor da USP da Folha Conrado Hübner. Esta semana, ele se tornou alvo também de Kassio Nunes, ministro do STF, que acionou a PGR contra afirmações “falsas e/ou lesivas” à sua honra em artigo publicado na Folha. A SBPC e outras entidades divulgaram uma nota em que chamam a atitude de “atentado ao livre pensamento”. Outra treta grande da semana foi a queda dos sistemas de informação do CNPq, que derrubou o Lattes. Neste artigo para o ObjEthos, os professores Pedro Aguiar e Guilherme Carvalho criticaram a cobertura da imprensa classificada como “de esquerda”, como Revista Fórum e Carta Capital, que afirmaram de maneira equivocada que não havia backup. Saiu o Relatório Global de Expressão da Artigo 19, que apontou que Bolsonaro emitiu 1.682 declarações falsas ou enganosas apenas em 2020. Nos últimos cinco anos, o Brasil deixou de figurar entre os países com os melhores índices de liberdade de expressão para ser considerado uma democracia em crise. E ouçam Marina Amaral falar sobre o livro “Tempestade Perfeita - sete visões da crise do jornalismo”, no podcast Pauta Pública.


❄️ E no meio das turbulências políticas há as Olimpíadas. Refrigério para quem assiste, muito trabalho para quem cobre. Detentora dos direitos de transmissão dos jogos, a Rede Globo levou equipe 50% menor para Tóquio, e sem os narradores. Mesmo assim, já na primeira semana, a emissora bateu recordes de audiência no ranking do Ibope. Os veículos estão fazendo coberturas especiais: no UOL, destaque para a série “Corpo de Atleta”, que discute a gordofobia no esporte. A Folha criou uma newsletter diária e um caderno exclusivo nas plataformas digitais. No Estadão, dois “Drops” exclusivos sobre os jogos. Na Gênero e Número, reportagem sobre o recorde de atletas LGBT+, com ineditismo de pessoas trans. Embora haja muitos acertos, há também críticas à cobertura jornalística em Tóquio. No Observatório da Imprensa, Wanderson Marçal argumenta que “o que tem se verificado na televisão na cobertura destes Jogos Olímpicos é uma abordagem muito mais enviesada para o lado do entretenimento do que para o da cobertura jornalística, havendo até uma certa confusão entre os papéis exercidos por aqueles que têm a missão de cobrir o evento”. Ele dá como exemplo a treta do skate nas redes sociais, que recebeu ampla cobertura da imprensa. O ObjEthos criticou o “clima de torcida”, destacando que os jornalistas “precisam guardar distância para narrar o que estão vendo”. Para a colunista do UOL Renata Corrêa, a imprensa romantiza a precariedade dos atletas ao reportar como “histórias de superação” o fato de Silvana ter aprendido a surfar num pedaço de madeira e Ítalo Ferreira, numa tampa de isopor. Lá fora vale ler esta crítica de Jon Allsop à cobertura da mídia sobre saúde mental no esporte, a partir do caso da ginasta Simone Biles.


❄️ O assunto agora é diversidade. Levantamento de Joshua Benton para o Nieman Lab descobriu que a maioria dos grandes jornais diários dos EUA agora é liderada por alguém que não é um homem branco - uma mulher ou uma pessoa negra (ou ambos). Para ele, é um pequeno passo, mas as redações ainda têm um longo caminho até refletir de fato as comunidades que atendem. Aqui no Brasil, o Alma Preta, em parceria com 26 meios digitais, criou a Black Adnetwork, uma rede que visa aproximar grandes marcas de coletivos e veículos, para ajudar na sustentabilidade do jornalismo independente. Mais informações na LJR. Leiam esta matéria do Guardian com as cineastas de um documentário sobre o Khabar Lahariya, única organização de notícias exclusivamente feminina da Índia. Na AzMina, Helena Bertho afirma que os ataques misóginos de Bolsonaro contra mulheres jornalistas não são algo isolado, “são uma parte importante de uma forma de governar que diz que as mulheres devem ficar em casa, que a imprensa deve ficar quieta e que o povo deve ficar ignorante”. No ijnet, um recorte do Digital News Report 2021 (fizemos um especial na NFJ#330): em uma escala global, as mulheres jovens entrevistadas são significativamente menos propensas a pensar que são cobertas de forma justa pelas notícias do que outras faixas etárias, ou do que os homens jovens. Deem uma olhada também, no Nieman Lab, nestes relatos de assédios sofridos por mulheres jornalistas que cobrem games. Falando nesse assunto, o ICFJ, em parceria com a IWMF, acaba de lançar o Online Violence Response Hub, onde mulheres jornalistas podem encontrar informações mais recentes sobre abuso e assédio online. Mais um link do Nieman Lab: guia para jornalistas escreverem sobre situações traumáticas sem retraumatizar os envolvidos.


❄️ O relatório “Dados Virais”, da Associação Data Privacy Brasil de Pesquisa, identificou 253 casos de iniciativas do poder público brasileiro de enfrentamento à Covid-19 envolvendo o uso de tecnologias baseadas em alguma forma de uso de dados pessoais. Tudo com pouca transparência. No Reino Unido, estudo do Ofcom classificou os jornais impressos como a segunda melhor fonte de notícias sobre o coronavírus, atrás apenas da TV. No Axios, com exclusividade: Facebook está se associando à ONG Meedan para dar a suas mais de 80 organizações parceiras de fact-checking acesso a treinamento para lidar com a desinformação sobre saúde e vacinas. O European Journalism Observatory analisou como veículos jornalísticos no Reino Unido, Alemanha, Polônia, Portugal e Ucrânia noticiaram o desenvolvimento e a distribuição das vacinas. Os achados revelam semelhanças na resposta da mídia à vacina Pfizer, enquanto a vacina Oxford recebeu uma cobertura mais crítica e negativa. A startup de “slow journalism” Tortoise foi na direção oposta de muitas organizações de notícias e cresceu durante a pandemia, sua comunidade está com mais de 110 mil membros e um alcance social mensal de 12 milhões. E vejam que interessante: metade dos novos membros vêm de indicações de membros antigos, o famoso “boca a boca”. O Washington Post exigirá que todos os seus jornalistas sejam vacinados contra a Covid-19 antes de retornar à redação, diz o Clases de Periodismo.


❄️ Vamos a alguns destaques da indústria. Deem uma olhada neste texto de Carlos Castilho no Observatório da Imprensa. Ele ressalta a necessidade de reinventar o jornalismo local, que, como sabemos, vem passando por crises e mais crises no Brasil e no mundo. Deem uma olhada no LinkedIn Premium News. A rede está oferecendo a seus membros Premium um bônus para ler conteúdos que estão atrás de paywalls. Para isso, o acesso precisa ser via LinkedIn. Segundo o Digiday, "em troca de um maior acesso ao conteúdo fechado, o LinkedIn pretende mandar aos publishers participantes um fluxo de usuários qualificados que podem se converter em assinantes de seus produtos". Pra quem se interessa em áudio, talvez valha a pena conferir esta análise de Damian Radcliffe, que usa os resultados do Digital News Report para refletir sobre hábitos de audiência e oportunidades para redações. O foco é nos EUA, mas sempre pode ser útil para pensar em estratégias por aqui. Um dos aspectos salientados por Radcliffe é o uso de áudio no jornalismo local. "Áreas onde veículos locais estão ficando para trás podem ser um belo espaço para investir em conteúdo em áudio - especialmente se ele usa links para relacionar o restante da sua cobertura", escreveu.


❄️ Fechando com aqueles links diversos. A Abraji abriu inscrições para a 16ª edição do seu congresso internacional de jornalismo investigativo. O evento homenageará as fundadoras da agência Amazônia Real, Elaíze Farias e Kátia Brasil. | Falando em Amazônia Real, o veículo agora faz parte do Trust Project. E deem uma olhada nesta grande investigação produzida pela Frente de Comunicação Indígena Borari e publicada na Amazônia Real. | E ainda sobre jornalismo investigativo, aqui tem 5 newsletters sobre esta temática. | Novo curso do Knight Center: "Estratégias de produto no jornalismo: Como alinhar conteúdo, audiências, negócios e tecnologia". | Jovens jornalistas podem se inscrever no 13° edição do Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão. Informações nesta thread do Instituto Herzog. | No dia 3 a Lupa promove uma live sobre os aspectos psicológicos e neurológicos da desinformação. | Um guia para cobrir tráfico de pessoas. | GJOL, da UFBA, promove uma live com Rosental Alves sobre o jornalismo no contexto da plataformização. | Seis newsletters para ficar de olho no mundo das mídias sociais. | Como filtrar comentários abusivos no Instagram. | Como tradutores online podem ser úteis para publishers: 3 sugestões. | Top 20 publishers no TikTok na Europa. | Santander oferece 1.500 bolsas para aprimorar soft skills. | Escola de Dados oferece 100 bolsas para pessoas negras, mulheres e/ou LGBTQIA+ para o curso de Python para Inovação Cívica. | ÉNois lançou um guia para cobrir a primeira infância e a adolescência. | O Gawker voltou. | E o Gizmodo lançou a Bitniks, uma revista de ciência, tecnologia e cultura.


É isso. Bom final de semana e até sexta que vem.

Moreno e Lívia


Nosso agradecimento de <3 vai para

Adriana Martorano Vieira, Alciane Baccin, Ana Claudia Gruszynski, André Caramante, André Roca, André Schröder, Andrei Rossetto, Ariane Camilo Pinheiro Alves, Barbara Nickel, Ben-Hur Demeneck, Bernardete Melo de Cruz, Bibiana Garcez, Bibiana Osório, Boanerges Balbino Lopes Filho, Caio Maia, Casemiro Alves, Cecília Seabra, Clube do Português, Cristiane Lindemann, Davi Souza Monteiro de Barros, Diego Freitas Furtado, Diego Queijo, Diogo Alcantara, Edimilson do Amaral Donini, Eliane Vieira, Estelita Hass Carazzai, Fabiana Moraes, FêCris Vasconcellos, Felipe Branco Cruz, Filipe Speck, Filipe Techera, Flavio Dutra, Gabriela Favre, Giuliander Carpes, Guilherme Caetano, Guilherme Nagamine, Janaína Kalsing, João Vicente Ribas, Jonas Gonçalves da Silva, Jorge Eduardo Dantas de Oliveira, Lia Gabriela Pagoto, Lilian Venturini Gavaldão, Lucia Monteiro Mesquita, Luiza Bandeira, Marcela Duarte, Marcelo Crispim da Fontoura, Marco Túlio Pires, Margot Pavan, Maria Carolina Medeiros, Maria Elisa Maximo, Maria Inês Möllmann, Mateus Marcel Netzel, Mayara Penina, Michelle Raphaelli, Nadia Leal, Nara Leal, Natália Levien Leal, Nícolas Barbosa, Paula Bianchi, Paulo Talarico, Pedro Burgos, Pedro Luiz da Silveira Osório, Priscila dos Santos Pacheco, Rafael Grohmann, Rafael Paes Henriques, Raquel Ritter Longhi, Regina Maria Pozzobon, Renata Johnson, Roberto Nogueira Gerosa, Roberto Villar Belmonte, Rodrigo Muzell, Rogerio Christofoletti, Roogério Lauback, Rose Angélica do Nascimento, Rosental C Alves, Samanta Dias do Carmo, Sérgio Lüdtke, Sérgio Spagnuolo, Silvio Sodré, Suzana Oliveira Barbosa, Sylvio Romero Corrêa da Costa, Tai Nalon, Tais Seibt, Tiago Oliveira, Vivian Augustin Eichler, Washington José de Souza Filho.

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