NFJ#351 🌼 Trabalho híbrido veio para ficar; como o jornalismo irá se adaptar?

O lançamento da WikiLAI | Os 10 anos da LAI no Brasil | Nos EUA, críticas aos estágios e aos cursos de jornalismo | A dependência de subvenções das startups digitais | Greve no NYT |

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Buenas, moçada!

Moreno por aqui, abrindo mais uma edição da NFJ.

Tempo abriu em Porto Alegre depois de dois dias de chuva. Temperatura em elevação, mas ainda tá bem amena - o que torna gloriosa essa sexta. Em Salvador tá calor, diz a Lívia, que sempre pode dar um pulo na Praia da Barra pra dar uma refrescada.

Iniciamos o fíndi com esta playlist do programa Canciones para despertar en Latinoamérica, produzido pelo amigo João Vicente Ribas aqui no sul do mundo.

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Agora vamos nessa!


🌼 Redações em transformação. Trabalho híbrido e melhoria da diversidade continuam a ser desafios para os publishers, conclui este novo relatório do Reuters Institute. 132 líderes de redações em 42 países responderam a uma survey em setembro deste ano, incluindo o Brasil (no entanto, a grande maioria é do Reino Unido - nosso país corresponde a apenas 2% da amostra). Houve ainda entrevistas em profundidade com 13 profissionais - nenhum do Brasil. Os autores destacam que muitos jornalistas vão encontrar redações bem diferentes daquelas que deixaram antes da pandemia e que, para alguns, ela desapareceu completamente. Isso faz com que, na percepção dos líderes, o "trabalho híbrido" em breve seja a norma para a grande maioria das organizações de notícias (79%). No entanto, mais da metade (57%) ainda está tentando descobrir a melhor maneira de fazer isso. Redesenhar escritórios, atualizar tecnologias, renegociar contratos de trabalho são algumas das tarefas iminentes. Há também preocupações com relação à perda de criatividade, comunicação e cultura (os chamados 3Cs) e ainda ao “preconceito de proximidade”, que pode fazer com que as vozes dos que trabalham remotamente sejam ignoradas, enquanto aqueles fisicamente na redação se beneficiam nas tomadas de decisão. Sobre diversidade, a maioria dos entrevistados afirma que sua organização de notícias está fazendo um bom trabalho com a diversidade de gênero (78%), mas poucos dizem o mesmo sobre a diversidade étnica (38%) e sobre como atrair pessoas de origens menos favorecidas (37%) ou com visões políticas diversas (33%). Na análise dos autores, enfatizada neste texto do Nieman Lab, “o futuro híbrido envolve muito mais do que apenas permitir mais direitos ao trabalho remoto. Em um mundo ideal, ele descreve um novo modelo operacional no qual o trabalho é feito sem referência ao local, o talento é usado de forma mais eficaz, as hierarquias são menos formais e diversos grupos são incluídos nas conversas. Também é provável que envolva uma quantidade maior de contato face a face com colegas, seja apenas para socializar, reforçar a cultura da empresa ou colaborar em projetos criativos”. (LV)


🌼 Twitter e jornalismo. Vamos de mais um estudo? O Pew Research Center entrevistou 2.548 estadunidenses com conta no Twitter e descobriu que a grande maioria (69%) utiliza a rede social para consumir notícias - e um tipo específico delas: as de última hora. No entanto, ainda é pequena a porcentagem que efetivamente usa o Twitter, como destacou este texto do Poynter: apenas 23%. Cerca de 67% dos entrevistados afirmam ter pelo menos alguma confiança no Twitter, e isso é muito maior do que a porcentagem que diz confiar nas redes sociais em geral (27%). Com relação à ideologia, democratas confiam mais que republicanos. O uso para consumo de notícias fez aumentar a compreensão de eventos atuais, mas os respondentes também relatam aumento de níveis de estresse. O Mashable destaca que 83% dos entrevistados disseram que suas contas eram privadas, mas na verdade eram públicas. O texto lembra o risco de não perceber que sua conta é pública e ensina como protegê-la. “Ter cuidado com o que você tuita é sempre a aposta mais segura”. (LV)


🌼 Transparência e desinformação. Está no ar a WikiLAI, com 90 verbetes iniciais que explicam temas relacionados à Lei de Acesso à Informação, além de casos e modelos de pedidos. Para mais detalhes, assistam à live de lançamento. Saíram também reportagens especiais em alusão aos 10 anos da LAI: O Estadão mostra como a lei mudou o patamar da transparência no Brasil;  o Poder 360 contabiliza que, neste tempo, o Executivo federal recebeu mais de 1 milhão de solicitações; e o Metrópoles destaca que a LAI enfrenta cerco à divulgação de informações públicas. Agora vejam como as mais recentes descobertas no campo da desinformação estão fazendo relação de fake news com o comportamento humano. Começamos com a atualização de um estudo de 2004, repercutida em texto do Nieman Lab. Há mais de 20 anos, Jeff Hancock descobriu que a maioria das mentiras por interação social ocorria por meio do telefone, enquanto o menor número era por e-mail. Mas o estudo atual, de David Markowitz, com um corpus bem maior, mostra que são pequenas as diferenças nas taxas de mentiras entre as mídias. A tendência de um indivíduo para mentir é mais importante do que se alguém está enviando um e-mail ou falando ao telefone. Conclusão semelhante a deste outro estudo da Duke University, que também saiu no Nieman Lab: pessoas altamente impulsivas e identificadas como conservadoras são mais propensas a compartilhar fake news. E esta pesquisa do Aspen Institute enfatiza que, para consertar a desordem informativa, é preciso “compreender comportamentos humanos, política, psicologia de grupo e ideologias, e a relação com o senso de identidade individual e comunitária das pessoas”. O Nieman Lab e a CJR deram mais detalhes sobre a pesquisa. E para não dizer que não falamos do Facebook Papers: esta reportagem do WPost afirma que legisladores norte-americanos querem que a empresa de nosso amigo Mark ofereça aos usuários um news feed cronológico, sem a interferência de algoritmos opacos. E explica por que o Facebook não faz isso, a partir dos documentos vazados. “A defesa de classificações algorítmicas decorre não apenas de seus interesses comerciais, mas de uma convicção paternalista, apoiada por dados, de que seu software de personalização sabe o que os usuários querem melhor do que eles próprios”. Em uma reflexão crítica, Sérgio Spagnuolo afirma que, “sem colaboração, a cobertura do Facebook Papers tá toda errada”. (LV)


🌼 Notícias da indústria. No Nieman Lab, Seth Lewis e Mark Coddington repercutem um artigo sobre estágios em jornalismo publicado na Journalism Studies. Apesar de ser uma experiência crucial para jornalistas informação, os estágios, dizem eles, também "é uma forma de a indústria perpetuar homogeneidade e elitismo, ao criar um caminho para os melhores empregos para estudantes de universidades de elite, e fechando as portas para outros oriundos de origens menos privilegiadas". Também no Nieman Lab, uma cutucada no ensino de jornalismo - nos EUA. Esta matéria de Hanaa' Tameez fala sobre a iniciativa da jornalista Jessica Huseman. Ela lançou um programa que "fornece treinamento de baixo custo para redações e jornalistas freelancers". A ideia surgiu quando ela percebeu que os cursos de jornalismo, apesar de caros, não ensinam tudo que um jornalista precisa saber. Ainda no Nieman Lab, mais uma cutucada. Agora nas empresas jornalísticas que vendem assinaturas de forma online, mas não permitem que seus assinantes cancelem o serviço também online. Um estudo citado pela matéria aponta que apenas 41% de mais de 500 serviços jornalísticos permitem que seus assinantes cancelem a assinatura online. Agora, há um esforço governamental para tornar ilegal "padrões obscuros que enganam ou se mostram armadilhas para os assinantes". E aqui no Brasil, hein? Quem ainda já teve dificuldade para cancelar assinaturas? Alô (olha a ironia), Estadão! Semana passada noticiamos a greve dos jornalistas de São Paulo. Nesta semana quem parou foram funcionários do NYT. Eles dizem que o jornal está usando táticas "antissindicais", segundo esta matéria do Poynter. No IJNet, Aldana Vales faz uma pergunta relevante: As startups digitais se tornaram muito dependentes de subvenções? O texto repercute os resultados do estudo Ponto de Inflexão Internacional, do SembraMedia. Segundo o levantamento, o financiamento por subvenções representou quase 31% da receita de veículos nativos digitais na América Latina, África e Sudeste Asiático durante a pandemia. O percentual é alto e pode dificultar a construção de modelos de negócio sustentáveis, afirma o documento. Além disso, eventualmente também pode afetar o direcionamento editorial. É o que sugere este artigo de Thales Vilela Lelo, apresentado no último encontro da Compós. No trabalho, o pós-doutorando da USP sugere que a dependência dos fact-checkers brasileiros de fundos oriundos de companhias do Vale do Silício fizeram essas iniciativas priorizarem o debunking de boatos que circulam nas redes sociais em detrimento da verificação de fatos e de discursos políticos. Falando em Vale do Silício, nessa semana rolou o Google News Initiative Global Summit. O evento foi online e apresentou, além de muitos cases ao redor do globo, ferramentas úteis para o desenvolvimento de diferentes estratégias jornalísticas, da investigação à publicidade, passando por assinaturas. Duas sugestões: Pinpoint, para análise de grandes quantidades de documentos utilizando inteligência artificial, e o Subscribe with Google, para o gerenciamento de assinaturas. No evento também foi anunciado o GNI Local Lab Brasil, um "programa voltado para ajudar veículos de jornalismo digital pequenos e médios a transformar seus negócios digitais". É coisa para 2022, mas dá pra demonstrar interesse aqui. (MO)


🌼 Links diversos. O Monitor Nuclear, projeto de monitoramento de redes sociais de políticos brasileiros, levou menção honrosa no Prêmio Cláudio Weber Abramo. O grande vencedor foi o trabalho Anatomia de Rachadinha, do UOL. Vejam aqui todos os vencedores. | No IJNet, matéria de Estelita Hass Carazzai sobre iniciativas que oferecem dados a jornalistas. | A mais recente edição da news do GIJN traz uma seleção do que de melhor rolou na Conferência Global de Jornalismo Investigativo. | No Novo em Folha, informações sobre bolsa para ilustradores e videomakers. | A Ponte Jornalismo traz informações sobre 1° Encontro Internacional de jornalistas da Diáspora africana, que tá rolando hoje e amanhã. Mais informações sobre o evento aqui. | No Poynter, Ren LaForme investiga se ter um email Hotmail pode influenciar negativamente a conquista de uma vaga de trabalho. | Aqui tem informações sobre como participar do programa Mirante, da Lupa. | Como pequenas redações podem abraçar a cultura da inteligência artificial. | Edwy Plenel, cofundador do Mediapart, dá dicas para realizar investigações jornalísticas. | A repórter Lola Ferreira foi reconhecida pela Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro como uma das personalidades negras destacadas na luta por justiça racial, informa o UOL. | Saíram os vencedores do Prêmio Gabo 2021. (MO)


🌼 💎 Concatenações teóricas. Na edição passada das concatenações iniciei uma análise das newsletters brasileiras categorizadas como "jornalismo" no diretório de newsletters brasileiras do Manual do Usuário. Lembram? A ideia agora é aperfeiçoar o corpus, de maneira a avançar na testagem da tipologia das newsletters jornalísticas.

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